Mamy Antenada: Expectativa x Realidade na Adoção

Expectativa x Realidade na Adoção

Olá Pessoas!!

Já conversei com vocês em outros posts sobre Expectativas x Realidade, e que ela é uma das grandes responsáveis pelas frustrações em nossa vida, quando uma não corresponde com a outra.

Na maternidade isso acontece aos montes, com mães biológicas ou adotivas. Já ouvi várias mães biológicas dizendo que gostariam que seus filhos voltassem para a barriga, e mães adotivas se perguntando: "Onde fui amarrar meu bode!?". Eu mesma me perguntei isso, e não foi uma vez só.

Como tudo na vida, a maternidade tem seus altos e baixos, e logo me vem a cabeça a imagem daquele monitor de cardiologia que fica: Bip, Bip, Bip (um em cima, outro em baixo), e quando a pessoa morre é o Biiiiiiiiiiiiiiiip (a linha reta). E é fácil fazer a analogia, enquanto estivermos nos altos e baixos, há vida, há troca, há aprendizado!

Na Adoção, quando nos chamam para conhecermos uma criança é claro que nos enchemos de expectativas, como uma mãe biológica se enche durante os 9 meses de gestação. Mas muitas vezes essa expectativa não condiz com a realidade de uma criança que não teve e não conhece o amor, o cuidado, a atenção. Como amar se nunca foi amado, como entender que um NÃO é um cuidado daquele novo pai e não uma represália, como entender que ensinar como se comporta à mesa é uma manifestação de atenção. 

Essa sensibilidade e atenção para com o "novo filho" devem estar em nosso consciente na fase de adaptação, ele provavelmente não corresponderá às nossas expectativas de mãe (quando pensávamos como seria ser mãe). Nós também não corresponderemos as expectativas dos nossos "novos filhos". Já pararam para pensar que eles podem idealizar uma família que digam sim a tudo que eles peçam, que sonham em ter os pais de propaganda de Margarina... Assim como nós, eles também criam expectativas.

Comecei a pensar nisso observando o meu filho mais velho (que chegou com 11 anos) quando a rotina começou a ser estabelecida após as festas de boas vindas. Toda a poeira levantada com a viagem para a nova cidade, conhecer a nova casa, os familiares, teve que baixar para dar lugar a rotina, regras e estudo. Foi quando "o bicho começou a pegar"! Uma criança que para ser ouvida ou notada tinha que ser no grito ou no tapa, ou fazendo algo desapropriado, agora tinha que aprender justamente o contrario do que sempre fez durante 11 anos de sua vida.
É realmente difícil para uma criança entender, não é?!

Mas esses hábitos vão mudando aos poucos, é trabalho de formiguinha meeeeesmo! Não dá para querer grandes transformações em 1 mês. 
Como dizem por aí, na Adaptação da Adoção existem fases. A primeira é a de não mostrar muito "os defeitos" com medo da devolução, a segunda é a de vou mostrar de tudo que sou capaz para ver se eles me amam mesmo e que não vão me devolver.

Aqui não tivemos essa fase de namoro, de ser tudo flores no primeiro mês. Na primeira semana já tivemos o "Tu não é minha mãe", uma chamada no colégio por desacato à Professora e uma agressão à um Colega. 
Se tínhamos essa expectativa?! Não, claro que não tínhamos! 
Mas essa era a nossa realidade.
E o que fazer com tudo isso depende de cada um que escolheu entrar nesse barco.



Bj Bj 



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