Mamy Antenada: Encarei o: "Tu não é minha mãe!"

Encarei o: "Tu não é minha mãe!"


Sim! Eu já escutei o primeiro (e outros mais) "Tu não é minha mãe" e o "Eu não sou teu filho", e você pode me perguntar: Ficou chocada? Respondo: Não, já tinha lido muito sobre o assunto e sabia que isso poderia acontecer, mas não pensei que fosse acontecer tão cedo, no segundo dia do Marcos aqui em casa.

Você pode ler pilhas de livros sobre o assunto, mas quando isso acontece a perna treme. A minha tremeu, respirei fundo e afirmei que ele era sim meu filho, por escolha minha e por escolha dele também, relembrando que ele conversou com o juiz e disse que nos queria como pais.
Essa frase foi dita algumas vezes, sempre quando era contrariado e em testes de limites, e eu sempre com o mesmo procedimento de afirmação de que era sim, tinha um documento que atestava isso e que isso tinha sido nossa escolha. 

Mas, como tudo na vida, chega um dia que a paciência para o teste chega ao fim, falei que se ele dissesse mais uma vez que eu não era mãe dele significaria que ele não estava feliz aqui em casa e que queríamos a felicidade dele, então faríamos a mala dele, ligaríamos para a psico da casa lar e ele falaria com ela que não nos queria como pais. Perguntei se ele tinha entendido isso e ele afirmou que sim.

E claro, numa crise de birra e teste de limite ele cuspiu, em alto e bom tom, a frase novamente: "Tu não é minha mãe!". Respirei fundo e levantei, fui ao quarto (tremendo por dentro), peguei a mala, abri a porta do armário e comecei a colocar as roupas dentro. Ele na sala gritava: "Tu é minha mãe sim, tu é minha mãe sim!". Eu com a voz quase embargada falei: "Não estou escutando, se quiser falar comigo, venha até aqui e me olhe no olho e fale o que tem pra falar!". Ele veio, me olhou nos olhos e disse: "Tu é minha mãe sim!".
Perguntei porque chegamos aquele limite, e ele respondeu que tinha ficado bravo e disse que eu não era a mãe dele, mas que não era verdade. Abracei-o e afirmei que EU ERA A MÃE DELE SIM! Por amar ele, por ter escolhido ele como filho, por cuidar dele e querer o bem dele. Mas que ele não me testasse pois eu cumpro o que eu falo.
Vou abrir um parenteses aqui... quer me julgar, me julgue! Mas fiz o que eu achava que era certo para aquele momento, claro que tenho consciência de que isso não pode ser feito sempre, que se houvesse repetição teríamos que resolver de outra forma.
Nunca mais escutei o "Tu não é minha mãe"... 
Esses dias escutei um: "Tu não cuida de mim", quando foi de castigo pro quarto depois de birra para fazer a tarefa com a pedagoga. Aqui o estudo é uma regra não negociável, então reafirmei essa regra e disse: "Cuido sim, porque sou sua mãe e te amo!".

Na segunda, durante o jantar, Marcos me perguntou se eu vou ser sua mãe pra sempre e se vou cuidar dele pra sempre, quando eu disse que "SIM, pra sempre!", ele abriu um sorrizão e me abraçou!! (meu coração se encheu de amor!).

A adaptação de um novo serzinho numa família é uma coisa muito doida, e ÚNICA, pois cada ser é único e reage de forma diferente à mesma situação. Se isso já acontece com bebezinhos imagine com crianças maiores que possuem vivências, que na maioria das vezessão traumáticas. Então começam as fases de testes.... e Óh, vou te dizer, prepare quilos de paciência e amor para passar por isso!! 

2 comentários:

  1. Me emocionei. Que linda história de amor vc está vivendo! Mesmo com todas as dificuldades o que sobra sempre é o amor e isso você tem de sobra. Eu não te julguei e sei que o fez foi o certo. Existem horas que devemos bater o pé firme e não voltar atrás. Mesmo não sabendo o que é uma adaptação de adoção sei o que é ser mãe é isso você está fazendo super bem. Afinal, filho é filho, não importa de onde tenha vindo. Bjs

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    1. Educar é isso né Clarissa?! Coisas da maternidade, e como você diz: filho é filho!!
      Um grande beijo no seu coração!!

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