Mamy Antenada: Adaptação da Adoção - Altos e Baixos

Adaptação da Adoção - Altos e Baixos

Olá Pessoal,

Como falei nas redes sociais, tenho muita coisa para contar para vocês sobre a Adaptação do Marcos. Vale ressaltar que a adaptação também é da gente viu, a adaptação é dele com a nova casa, nova família, nova rotina, novos limites; e a nossa adaptação à um novo serzinho, rotina, etc, etc. 
Confesso pra vocês que não é fácil!!
Quem pinta essa adaptação como um mundo colorido, de família de comercial de margarina, não sei em que mundo vive!!! Adaptação é difícil sim, tem seus altos e baixos.



Nosso filho tem 11 anos e uma história vivida, que bem ou mal o acompanhou até agora, temos ideia por tudo que ele passou pelos relatos da psicologa da casa lar e pelo processo jurídico que levou a destituição do poder familiar. Claro que, se essa historia fosse boa, ele não estaria conosco. E tudo isso ajudou a moldar o menino que ele é hoje.

Marcos estava a aproximadamente 1 ano na casa lar, mas a tentativa da reinserção a família biológica, com o auxilio das diversas formas de assistência social, já passava de 3 anos. Todas sem sucesso! Vocês conseguem imaginar o que tudo isso pode fazer com a cabeça e o coração de um serzinho em formação?!

Não quero aqui justificar as atitudes do meu filho, mas sim tentar entender suas ações para poder ensina-lo o caminho certo a seguir.

Marcos tem um coração bom, mas temos enfrentado o grande desafio do teste de limites, alguns deles bem punks. Muitas vezes conseguimos ver no seu olhar que está nos testando, para ver se teremos a mesma postura. 

Exemplo 1: Marcos tem uma ligação muito forte com a comida, comia de forma meio que desesperada. Fazia o lanchinho da tarde com um belo misto quente e um copo de achocolatado e mal tinha terminado o sanduíche, e já pedia outro. Tínhamos a nítida certeza que não era fome, então oferecíamos uma fruta. Nas primeiras vezes ele reclamou, chegou a dizer que não gostava da gente porque nós não dávamos o que ele pedia, com aquelas cenas de tipicas de birras e fala em tom alto (pra não dizer gritaria). Então explicamos que não estamos aqui só para dar o que ele quer, mas sim para dar amor e educa-lo, e também que aqui nunca iria faltar comida, que o papai e a mamãe nunca iriam deixar isso acontecer, que ele deveria comer com calma e se ele ainda tivesse fome ele poderia comer uma fruta. Ele tentou isso 2 vezes, e agimos da mesma forma, e agora o pedido não é mais por um outro sanduíche e sim por uma fruta.

Exemplo 2: O teste da tarefa. Acho que já falei pra vocês que o Marcos é disléxico, então preciso acompanhar quando ele faz a tarefa, ditando o que ele escreve. Devido a dislexia e negligencia da família biológica, Marcos ainda não lê  e não escreve sozinho e troca letras e fonemas parecidos. Nos primeiros dias ele esperava que eu respondesse as tarefas para ele apenas escrever, e se irritava quando eu não fazia. Desde o começo, sempre deixei claro que estava ali para ajudar e não para responder. A baixa autoestima dele as vezes mina essa atividade, pois sempre quando estamos fazendo a tarefa diz que não é inteligente, que não sabe fazer. E eu sempre afirmando que ele é um menino inteligente e festejando quando ele acerta a questão. 
E enquanto eu escrevia esse texto, tive que sair para buscar o Marcos no colégio, e a Prô veio conversar comigo sobre o bilhete que eu tinha mandado para ela, das dificuldades que estava tendo na hora da tarefa, com ele sempre chutando as respostas e dizendo que não sabia, que a prô não tinha ensinado. Ela me disse que na sala de aula ele responde tudo, só precisa de ajuda na escrita, e ela terminou dizendo: Mãe, ele tá te testando, porque ele sabe! E ele quer que tu fique por perto, mas ele sabe sim!.... Aaaaah!!! E nós ficamos quase 1 hora para ele me dar um exemplo da água no estado sólido, líquido e gasoso :o :o :o

Sei que isso não é exclusividade do meu filho, e nem é porque ele foi adotado... Isso é exclusividade de criança, que nos testam até onde aguentamos, se somos coerentes em nosso discurso, se somos amorosas e FIRMES.

Sejam firmes em suas convicções mamães, não importa se fulana ou ciclana dizem que esse ou aquele método de educação é melhor ou mais eficiente, o melhor método é aquele em que o coração fica em paz no final do dia. 
Só para deixar claro que nesses 20 dias que o Marcos está conosco, em muitos deles, fui dormir com o coração apertado, mas convicta que aquilo era o mais certo para o desenvolvimento dele, e rezando para que ele pudesse aprender pelo amor e não pela dor, pois sei que ele é um menino de bom coração, seus olhos não enganam.

Bj Bj



2 comentários:

  1. lindo relato e real...aqui tb a demora na liçao é para ficarmos mais tempo juntos. eles sao ótimos garotos e irao em breve se sentir seguros com o nosso amor

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  2. Que lindo querida, estou aprendendo muito com seus posts,continue escrevendo.. e eu aqui ansiosa pelo tão sonhado telefonema haha. Forte abraço família!

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